Abram-se as portas do absurdo! Proclame-se a dinâmica do caótico onde o caótico é a frustação de um formigueiro que absolve a gravata dos molhos psicóticos. Sinalize-se, com dados viciados, os prognósticos analfabetos das ventosas digitais. Reclame-se, em “outdoors” gigantes, o simbolismo austero da poesia prática. Ensaboe-se os “computers” da biodiversidade com a ginástica polifônica da vírgula verrinosa. Escrevam soluções poluídas com o timbre majestoso do feixe educacional abstrato. Abram alas à futurologia sintética das sínteses programadas em “tablets” de alta costura para que os sons astrais vocabulizem a geometria assimétrica. Sofram com a ciência aguda das incongruências indomáveis e descreva-se, com gols aritméticos, a paixão do seu rouxinol decadente. As alegrias serão cascalho grosso nas ruelas dos estribilhos conflituosos. Que se danem as aventuras do posfácio e a boatice dos prefácios entalados entre o virtual gorduroso e as condolências dos séquitos obtusos. Forremos os vitrais dos olhares oblíquos com as folhas ridículas de um apogeu missionário e, sobretudo, aspirem os aromas camuflados das estantes imortais. O absurdo é o instantâneo fotográfico da soma que o quadrado belicoso desintegra para que a vastidão da insensatez seja um produto informático de viroses apoteóticas. A absurdidade, este absurdo, é um par ambivalente de lentes progressivas.
Assinado por Renato Cresppo
quinta-feira, 7 de junho de 2018
terça-feira, 15 de maio de 2018
Afluentes Poéticos - XIV - Teu corpo etéreo
Na pastagem idílica do teu olhar infinito
Há um rebanho de candeeiros nervosos.
Iluminam a árvore frondosa dos amantes
Que florescem no dique das palavras secas,
Esse descritor de páginas acesas
Pelo lastro do fogo que te fecunda o amor
Que em teu peito florido recolhes
Sob o Pégaso de uma luxúria navegante
Que Netuno amansa e Apolo excita
Para que nas veias do teu sangue efémero
Corra a lava vesuviana do eterno pensamento
Plantando nas pétalas do vigor ternurento
A estrela fulminante do teu corpo etéreo.
Assinado por Renato Cresppo
Afluentes Poéticos - IX - Que morte se espantará?
Que vida é esta que arquivo na minha memória?
Como se ela fosse um besouro
Que se ouve na estridência do hálito urbano?
Recordo o que não vejo
E esqueço o que sinto
Na virulência deste pedaço de carne humana
Como se fosse um grito de silêncio
Ou um eco de porcelana
No hábito de uma fome ancestral.
A resistência ao ato de sangrar palavras
É esta cinza que me respira todo
É esta sombra noturna
Que vagueia elástica
Entre o fogo que a astúcia consome
E o gelo que a definha
Para além de todos os mistérios
Que a janela aberta do tempo
Segreda
Como se fossem o isco dos pensamentos
Que em vagas de sangue sensível
Rasgam a plasticina do passo frágil
E modelam o riso vital das noites inesperadas.
Acordo por dentro
Desfaleço por fora
E seguro do abraço quotidiano
Piso a rota diária da fábula serena.
Que morte se espantará com a lava edílica do meu fermento?
Assinado por Renato Cresppo
Afluentes Poéticos - XIII - Baldio que sou
Neste baldio que sou
Sou o antes de tudo e o depois de nada,
Sendo raro onde estou
E, pleno, em uma conversa, fustigada
Pelo o olhar da ausência,
Pela boca de uma carência
Que veste a nudez
De uma venenosa mudez,
Com epitáfios de surdez.
Neste vício que morde
A dureza de uma inocência,
Há um breve acorde
Que socorre a insolvência
E devolve à aparência
A natureza de um fiorde,
Precipício de sons,
Baldio fresco de tons
Que dedos de tudo
E dentes de nada
Revestem o corpo ossudo.
São conversas de esplanada,
Ouvidos que tudo ouvem
Em sentidos que nada sentem.
Neste baldio em que vivo
A desordem é um sorriso
E, o silêncio, o cativo
Que é um ponto que piso
Ao amanhecer que anoitece
E à noite que entontece
Este baldio que sou
Sem saber onde estou,
Passando por passar,
Vagando, sem vagar.
Assinado por Renato Cresppo
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Oblívio no engano IV - Ipso facto
Não há chuva que resista às tonterias das palavras rotas. Abro o guarda-chuva e descubro que o Sol é a resistência da noite. Fecho o guarda-chuva e abandono os meus cabelos às gotas da chuva que, embora sejam de água tépida, são pérolas que eu roubo aos descaramentos das nuvens que me perfumam com a linguagem do descrédito. Nesta vida de presunções coloridas, o importante não é a rosa, mas sim as pétalas que a adornam com a placidez do tempo esculpido pelas diatribes das bocas circunspetas. Molhado pela sopa do dia, aprendo, na rigidez muscular dos eventos, a prescrever, a mim próprio, os delírios de nada saber sobre os rigores das tempestades que danam e as bonanças que espumam as raivas adormecidas dos guizos que tilintam nos idílios campestres da levitação prematura. De que falo? De que escrevo? Eis um hábito que nem o monge veste. O tecido é tenebroso e quem o habita abomina os caprichos da natureza humana. São padrões de falácias que se ouvem pelos cantos da boca e que nidificam nas falésias do abstrato, quando, não mesmo, do absurdo. E por falar, em absurdo, eis-me perante a radiosa perspectiva de estes ciscos apresentarem no palco da altivez, as cenas absurdas de nada serem. Ipso facto.
Assinado por Renato Cresppo
Assinado por Renato Cresppo
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Oblívio no engano III - A lucidez da minha irracionalidade
Esta história não usa regras de lógica, coisa que ignoro. Tem todos os temperos da irracionalidade. Usei o meu escalpe como um troféu e pendurei-o numa tela branca pintada com as cores de uma romã rachada ao meio. Pus as minhas barbas de molho. O molho era de abacate. Senti que as verbas climáticas da minha temperatura de zero graus, se traduziriam no investimento do meu corpo, que expunha a sua nudez esquelética, como um exemplo de escultura, para além do pós-moderno.
Optei por fazer um discurso, mesmo no centro da praça Giacomo Matteotti, usando como retórica, as palavras mais bárbaras que conhecia. Ouvi algumas gargalhadas sem sentido e engoli todos os insultos com o maior dos à vontades, uma vez que a troca de línguas, é um linguado acústico, presenteado com uma feira de vaidades, onde todos se registam e nenhum resiste às labaredas saudáveis da irresponsabilidade moribunda. Quis suicidar-me no metrô para causar consternações, pânico e satisfações por haver menos um militante da vida. Contudo, cheguei à conclusão que os espectadores mereciam melhor espetáculo, pelo que resolvi estilizar-me como uma estátua da morte, todo vestido de branco, o que era um contrassenso, segundo alguns comentários atrozes que escutei, sugerindo que devia enforcar-me em público, reparem, não fingindo, mas usando uma realidade, em vez de uma farsa, o que me deu, pensei eu, a brilhante ideia de me transformar num farsante, mas concluí, rapidamente, que a concorrência seria muita e, num ápice, iria à falência.
Afinal, optei por ser um mentiroso convicto, o que daria grandeza à minha alma e espiritualidade ao meu raciocínio que, como já afirmei, é totalmente irracional.
Cansado de não ser famoso, anunciei ao mundo, em geral, que descendia diretamente de um iguana dos Galápagos e, tal como ela, considerava-me, em vias de extinção, o que, implicitamente, me ofereceria todas as garantias de uma vida faustosa. Adepto invertebrado da inveja, ri-me espalhafatosamente de todos os olhos que me devoravam com admiração, sem na realidade saberem bem porquê. Transformei-me numa encenação coletiva do amor em estado de guerra, sem qualquer ideia de paz.
Como esta ocasião é uma caixinha de surpresas, saltei e esmolei, como qualquer palhaço politiqueiro, por 15 minutos de fama, o que soprando numa gaita de fole, me daria direito à comissão do fole que afoguearia qualquer pardieiro, pelo que brandi com a maior falta de sobriedade, o gamanço de umas quantas palavras que me dessem direito à composição do século.
Com toda a singeleza, confesso que, repentinamente, me distraí e me perdi do objetivo que projetava, com objetivas filtradas pelos cenários grotescos dos flibusteiros pós-modernistas. E, como nada mais há do que esta confissão descolorida, pisgo-me para onde as realidades, nunca serão verdades factuais. Amém.
Assinado por Renato Cresppo
Optei por fazer um discurso, mesmo no centro da praça Giacomo Matteotti, usando como retórica, as palavras mais bárbaras que conhecia. Ouvi algumas gargalhadas sem sentido e engoli todos os insultos com o maior dos à vontades, uma vez que a troca de línguas, é um linguado acústico, presenteado com uma feira de vaidades, onde todos se registam e nenhum resiste às labaredas saudáveis da irresponsabilidade moribunda. Quis suicidar-me no metrô para causar consternações, pânico e satisfações por haver menos um militante da vida. Contudo, cheguei à conclusão que os espectadores mereciam melhor espetáculo, pelo que resolvi estilizar-me como uma estátua da morte, todo vestido de branco, o que era um contrassenso, segundo alguns comentários atrozes que escutei, sugerindo que devia enforcar-me em público, reparem, não fingindo, mas usando uma realidade, em vez de uma farsa, o que me deu, pensei eu, a brilhante ideia de me transformar num farsante, mas concluí, rapidamente, que a concorrência seria muita e, num ápice, iria à falência.
Afinal, optei por ser um mentiroso convicto, o que daria grandeza à minha alma e espiritualidade ao meu raciocínio que, como já afirmei, é totalmente irracional.
Cansado de não ser famoso, anunciei ao mundo, em geral, que descendia diretamente de um iguana dos Galápagos e, tal como ela, considerava-me, em vias de extinção, o que, implicitamente, me ofereceria todas as garantias de uma vida faustosa. Adepto invertebrado da inveja, ri-me espalhafatosamente de todos os olhos que me devoravam com admiração, sem na realidade saberem bem porquê. Transformei-me numa encenação coletiva do amor em estado de guerra, sem qualquer ideia de paz.
Como esta ocasião é uma caixinha de surpresas, saltei e esmolei, como qualquer palhaço politiqueiro, por 15 minutos de fama, o que soprando numa gaita de fole, me daria direito à comissão do fole que afoguearia qualquer pardieiro, pelo que brandi com a maior falta de sobriedade, o gamanço de umas quantas palavras que me dessem direito à composição do século.
Com toda a singeleza, confesso que, repentinamente, me distraí e me perdi do objetivo que projetava, com objetivas filtradas pelos cenários grotescos dos flibusteiros pós-modernistas. E, como nada mais há do que esta confissão descolorida, pisgo-me para onde as realidades, nunca serão verdades factuais. Amém.
Assinado por Renato Cresppo
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Desconheço quem me sonha
Eu não sou real. Sou um sonho que anda por aí. Desconheço
quem me sonha. Um sonho? Não, uma imensidade de sonhos. Cada um deles pretende
preencher o vazio que navega no naufrágio de cada coração que perdeu a
navegabilidade da vida que vive. São sonhos sem nomes, sem idades, passados ou
futuros. Todos podem ser pescadores e pescarem nos afluentes dos seus rios as
combinações das realidades que melhor preencherem os vazios que anseiam por ser
alagados com a fertilidade de serem o que não são. Não pensem em cores, nem em
dias ou em noites. Flutuem no universo infinito dos meus sonhos e serão a
riqueza humana da beleza com que nos abastece a natureza. Nos meus sonhos não
há lugares para a tristeza, nem para a morte dos desejos que sufocam as
incapacidades de se libertarem os prazeres que são as receitas prescritas
destes sonhos que viajam, sem composturas e sem elegâncias de verbalismos,
gastos pelas inconfidencialidades das confidências sem sonhos. Se me virem
passar por aí, sorrindo e brincando como uma criança, não se surpreendam, é,
apenas, um pássaro que voa, sonhando os sonhos que aprendeu comigo, nos
mistérios e nos segredos da embriaguez solar que a todos nós consolará. São
sonhos que eu sonho por não ser real. Sou, simplesmente, um sonho que anda por
aí.
Assinado por Renato Cresppo
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