Que sei eu de mim neste cemitério de ideias onde as flores da memória são pedaços de vida violada pelas sombras de um passado que se esmeram nos confrontos do seu futuro. O que poderia saber eu, de mim mesmo? Diariamente, sou arrebatado pela incoerência das minhas coerências na sublevação de uma consciência que se afoga em realidades insurgentes. Em que realidade pairam os sonhos do mesmo sonho que toca a reunir na parada das avenidas e das vielas que cruzam a cidade com os rumores do seu êxtase carnal? Subo, sob uma aurora de várias sonoridades, e, desço, atravessado pelo rio precioso das águas sedentas de uma foz que lhes cante o irracionalismo de uma poesia racional. As luzes da noite banham as águas do meu olhar. Os versos que a decoram são bailados urbanos de fugas tempestuosas, de brisas encantadas que pernoitam no cansaço dos corpos e que beiram a insânia atemporal de uma cobiça sequiosa. Corpos que são gritos de agitação fluvial, argumentos de uma película que se vislumbram nas grandes telas da existência. Por ti, passam estas horas de nada e, regado pelos encantos dos teus lábios silenciosos, adormeço, abraçado a um prazer que desconheço, carente de um afago de fogo celestial e de uma volúpia acidental. Afinal, eu, sou este apetite sensorial que se move por entre os lençóis da noite, descobrindo, aos ponteiros do tempo, a realidade de uma viagem madura e de um epílogo que se rebela contra o próprio enredo. Ao final, somos estes cânticos de imoralidade moral que se seguem em desígnios próprios, inapropriados que sejam, expropriados da pujança da existência.
AFLUENTES POÉTICOS
DO MAR AO AR, FLUENTES E AFLUENTES EM CONSONÂNCIA E SOB EFEITO
quinta-feira, 23 de abril de 2026
sexta-feira, 17 de abril de 2026
terça-feira, 19 de agosto de 2025
Ecos Elucubrativos I - Aspiração
A bebedeira do meu último suspiro será a última melodia que remará com a brisa do tempo.
Assinado por Renato Cresppo
terça-feira, 5 de agosto de 2025
Verdades parenterais XLIV
Em prol de salvar a democracia e a liberdade,
quase tudo é válido, mas, jamais cerceá-las.
Assinado por Renato Cresppo
sábado, 19 de julho de 2025
Verdades parenterais XLIII
Dos discursos censuradores disfarçados por urgências jurídicas, em pauta, a liberdade segue paliativa.
Assinado por Renato Cresppo
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
Nas teias de uma alucinação delírica - VII - TÊ-LO-IA DIAS EM ARIDEZ
Tenho dias que vivo no deserto, entre as areias errantes, as estrelas e o Sol. Quando o vento entoa os seus cânticos de desespero, eu desapareço. Abraço-me ao alfabeto das dunas e não faço perguntas, nem ouço respostas. O vento apesar de ser um concerto de sons que lambem e lamentam toda a solidão que vestem, são o corpo do silêncio que caminha, perdido e cansado, entre a luz ofegante do Sol e a suavidade luminosa das estrelas.
A noite é o camelo que me conduz à lanterna de um oásis, onde o cansaço é um sonho de nunca mais acordar. A simplicidade deste percurso diário, é a arte complicada de não pensar, sugando todo o seu encanto com a realidade das dunas que me povoam e com a eternidade do camelo que se arrasta sem oásis e sem desertos para compreender que a água reservada, não é mais do que um sopro de pérolas que choveram dos olhos, sem luz do dia, sem a luz da noite, porque as dunas apenas lambem o tempo com os lacraus da finidade. Tem dias que esta duna que aparento ser, cobre a razão da luz, esconde no silêncio da sua imobilidade a voz que o silêncio abraça ternamente para que não se ouçam os pingos da chuva que nunca se olham.
Tenho dias que sou o adeus do próprio adeus. Só o vento me acalma, só uma palmeira conhece a sombra da minha sombra.
Tenho dias que entre o deserto e as estrelas, sou a simplicidade do nada, do ninguém.
Tenho dias que é este o hábito que visto na areia solitária de um silêncio.
Assinado por Renato Cresppo
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
Verdades parenterais XLII
Na mitigação das calúnias que aos montes se mascaram por ideais democráticos, a sordidez segue indisfarçável e massacrante.
Assinado por Renato Cresppo
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