sábado, 22 de junho de 2024

Verdades parenterais XL

Nas subjacências da dor, a amor segue laminar como foz num deserto de almas.

Assinado por Renato Cresppo



domingo, 16 de junho de 2024

Pinceladas de uma Intimidade Liberta - IV - SAINDO DE MIM MESMO

Domingo. O sol que espia por entre as formas de algodão mal se vê e, eu, mal me distingo na apoteose do nada. Desligo o rádio e dirijo-me à frente da minha casa, dando as caras à via Mar Jonio, partindo sem rumo mas com certa tendência por buscar a via Uso. O fiume Uso sempre me traz algo de nostálgico, melancólico, mas que por tantas vezes busca com dificuldade um longínquo e quase frívolo grão de esperança dentro deste ser, que, talvez já não busque qualquer outra coisa senão uma tergiversação vã, e, de certa maneira cômica para com o passar dos dias num desígnio que por certo se aprochega do fim. O destino, ao que parece, não pode abandonar seus contornos truculentos; voa em minha direção um bloco de jornal impresso que enrosca por entre minhas pernas. Nem chutar me apetece nesta caminhada que se sente como um flutuar com pesos. Apanho a desgraçada e tão amassada publicação. Leio notícias. Respiro sobre elas. A fibra de quem governa é nenhuma. O Governo é displicente, ignorando o sentido de Estado. Parece um grupo dramático de teatro, representando a comédia dos seus próprios atos. Confrangedor, na melhor da hipóteses. Este Domingo me aborrece ainda mais do que todos os outros. Sou carteiro de mim mesmo. O telegrama é um sonho que se despede. Todos os sonhos são assim. A Morte é a Vida que não se sonha. Saio, saindo de mim mesmo e regresso, alheio, ao encontro de todos os meus desencontros. Dos encontros, o sonho que se despede, se despe saindo de mim mesmo.

Assinado por Renato Cresppo



sábado, 24 de fevereiro de 2024

Verdades parenterais XXXIX

Os que se apequenam ante a ilusória magnitude das criações humanas jamais se magnetizarão pela grandeza das pequenas coisas da vida.

Assinado por Renato Cresppo


 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Verdades parenterais XXXVIII

Com sorte, me tornarei como o mar, onde os dias não contam e o vento é louvar.

Assinado por Renato Cresppo



Verdades parenterais XXXVII

Daqueles dias perdidos correndo atrás do vento, suplicando um beijo, querendo mais cem, dormindo e acordando sedento.

Assinado por Renato Cresppo



Verdades parenterais XXXVI

O amor que fugiu de mim irá voltar na direta proporcionalidade da dor que a instaurou.

Assinado por Renato Cresppo



segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Verdades parenterais XXXV

Nas verdades impressas por entrelinhas quase nada escapa pelas mensagens não lidas.

Assinado por Renato Cresppo